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22/07/2022 | Fonte: SONHO SEGURO

ARTIGO: Qual será o comportamento futuro do mercado de seguros com a persistência da inflação?

Diogo Arndt Silva, sócio fundador e CEO da Rede Lojacorr

O mercado de seguros nas últimas duas décadas mostrou que foi capaz de crescer em diferentes cenários econômicos: com juros altíssimos e com os juros mais baixos que já vivenciamos, com uma condição muito próxima do pleno emprego e com altas taxa de desemprego, e também com o otimismo do PIB crescendo e com o pessimismo da economia em recessão. Sim, o mercado de seguros se mostrou muito resiliente em todas essas divergentes realidades.

Porém, quando recorremos a dados históricos da década de 70 até o início de 1994, onde longos períodos de inflação e até hiperinflação assolaram nossa economia, o mercado de seguros teve dificuldade em manter crescimento real, isto é, acima da inflação. Isso porque a inflação corrói o poder de compra da população e a referência de valor do dinheiro se deteriora ao longo do tempo. Nas décadas que antecederam o Plano Real, o mercado de seguros ficou estagnado e representava cerca de 1% do PIB. Após a implantação do Plano Real, com o controle da inflação, o mercado de seguros cresceu 3,7 vezes ou um crescimento real de 5,3% ao ano no período de 1996 a 2021, conforme o levantamento feito pelo economista Marcio Coriolano, ex-presidente da CNseg.

As questões que ficam agora são: O cenário inflacionário atual será persistente? Qual será o comportamento futuro do mercado de seguros com a persistência da inflação?

A projeção de crescimento da inflação para a economia global tem aumentado em função  de alguns fatores como a guerra na Ucrânia, e com isso um novo choque na oferta em função da quebra de cadeias de suprimento; mas também e, principalmente, como consequência do brutal aumento da oferta monetária promovida pelos bancos centrais como forma de socorrer suas economias durante a pandemia.

O aumento e a persistência da inflação têm levado ao aperto da política monetária em diversos países e intensamente no Brasil, isto é, através do aumento da taxa de juros como forma de segurar a atividade econômica na tentativa de controlar a inflação. Porém também sabemos que a política monetária tem limitações e sem um ajuste fiscal forte e responsável a deterioração do ambiente econômico poderá persistir.

O mercado de seguros, ou poderíamos chamar de o novo mercado de seguros, evoluiu muito nos últimos com a diversificação de produtos e canais de distribuição. O foco foi investir em tecnologia para melhorar a experiência dos corretores e consumidores. O desenvolvimento de uma ampla rede de corretores de seguros profissionais também contribuiu muito para a ampliação da cultura de seguros em nossa sociedade e conquistar a confiança de ainda mais consumidores. Atualmente, diferente da época em que convivemos num cenário inflacionário, os seguros passaram a fazer parte do orçamento de muitas famílias e empresas como um investimento na preservação do patrimônio da renda.

Tudo indica que teremos momentos turbulentos na economia nos próximos anos, mas certamente as seguradoras e corretoras que se organizaram bem nos últimos anos com infraestrutura, tecnologia, governança e gestão estarão preparadas para superar as adversidades e sairão ainda mais fortes quando a tempestade passar.

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