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09/07/2021 | Fonte: Valor

Covid ameaça seguro de negócio presencial

Regulador europeu vê risco de redução permanente na oferta de apólices a setores como comércio e eventos

A pandemia da covid-19 traz o risco de criar uma redução permanente na disposição das seguradoras emitir apólices para empresas que dependem do contato presencial com o consumidor, como lojas, restaurantes e organizadores de eventos, alertou um importante órgão regulador da União Europeia. O seguro de crédito comercial estimula trilhões de dólares em transações comerciais a cada ano ao cobrir firmas contra o risco de que não recebam os pagamentos das empresas às quais fornecem bens ou serviços.

Em seu relatório de estabilidade financeira de 2021, divulgado ontem, a Autoridade Europeia dos Seguros e Pensões Complementares (Eiopa, na sigla em inglês) alertou para a crescente percepção no setor de que “alguns segmentos estão inerentemente vulneráveis”, em especial os presenciais, como varejo, aviação e lazer. Futuras pandemias e medidas de confinamento são “novas fontes potenciais de inadimplência correlacionada entre os setores”, segundo a Eiopa, o que leva a mudanças fundamentais na forma como as firmas de seguros de crédito comercial mensuram os riscos.

Elas “podem, portanto, ver um risco de crédito muito maior nesses setores do que levavam em conta anteriormente em seus modelos [matemáticos]”, destacou a agência. “Isso poderia levar, de forma permanente, a uma cobertura menor nesses setores”, acrescentou.

Durante a pandemia, governos de diversos países colocaram em vigor proteções ao seguro de crédito comercial para compartilhar riscos com as seguradoras e evitar que elas deixassem de cobrir empresas durante a crise. Ainda assim, à medida que o quadro foi piorando, as seguradoras de crédito comercial europeias reduziram sua exposição total em cerca de 10% em 2020, segundo a Eiopa.

No fim das contas, em 2020, as seguradoras pagaram € 3,8 bilhões mundialmente em apólices de crédito comercial, 12% a mais do que no ano anterior, de acordo com dados divulgados em junho pela Associação Internacional de Seguro de Crédito e Caução (Icisa). A quantia teria sido muito maior, segundo a Icisa, se não fosse pela série de medidas de apoio governamental, como os esquemas de licença remunerada, que mantiveram as empresas em operação e em dia com suas contas.

Antes do fim do programa de resseguro de crédito comercial do Reino Unido, no fim de junho, varejistas e outros grupos levantaram o receio de que as seguradoras passem a reduzir as coberturas.

Tim Smith, chefe global de seguro de crédito comercial na corretora Marsh, disse que embora a vasta maioria dos clientes de varejo tenha conseguido renovar suas coberturas, as seguradoras estão “observando de perto” os dados financeiros antes de tomar decisões sobre quanta cobertura devem oferecer. Empresas que aderiram com mais facilidade ao comércio eletrônico estão sendo “avaliadas positivamente”, disse. “As seguradoras têm preocupações reais no setor de hotelaria e é improvável que ofereçam grandes linhas de cobertura até que o setor se reaqueça.”

O relatório da Eiopa também alertou para os riscos de uma crise climática e para o crescente número de ciberataques que atingiram grupos como a Axa nos últimos meses, aumentando a pressão sobre o segmento de seguros de ciberatividades. O trabalho remoto criou mais oportunidades para os hackers, segundo a Eiopa.

De acordo com previsões incluídas no relatório, os prejuízos anuais decorrentes de catástrofes ligadas ao clima na União Europeia e no Reino Unido deverão mais do que dobrar em relação à média de 30 anos desde 1981, de 22,9 bilhões de euros, chegando a € 45,7 bilhões, em 2050, caso as temperaturas subam 1,5°C e não sejam tomadas medidas de adaptação ou mitigação.

No fim do século, esses prejuízos poderiam chegar a € 71 bilhões. O informe calcula que os seguros contra danos causados pelas mudanças climáticas, como enchentes e secas, poderiam amenizar consideravelmente o impacto no Produto Interno Bruto (PIB). A entidade advertiu, porém, que “a lacuna na proteção dos seguros na Europa já é substancial e que há muitos motivos para suspeitar que ela poderia dilatar-se como resultado da mudança climática”.

A Eiopa estimou que 56% dos danos potenciais de furacões e marés de tempestade (como é chamada a “ressaca”) estão cobertos por seguros na Europa. Já a cobertura contra danos por enchentes e desmoronamentos está em 28% e contra temperaturas extremas, secas e incêndios naturais, em apenas 7%.

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