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21/12/2020 | Fonte: Valor

Previdência: Grandes instituições conseguem evitar onda de resgates

Comparado a 2019, não houve evasão de recursos nos nove primeiros meses de 2020

Como resultado de ações de educação financeira dos clientes, maior oferta de produtos para diferentes perfis e flexibilização da regulamentação nos últimos anos, a previdência privada nas grandes instituições de varejo e nas seguradoras independentes conseguiu evitar uma grande onda de resgates com a crise da pandemia. Embora a captação líquida tenha diminuído 22,2% nos nove primeiros meses deste ano em relação a igual período de 2019, não houve evasão de recursos.

Nesse intervalo, conforme dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), os resgates subiram de R$ 52,9 bilhões para R$ 59,5 bilhões, mas as seguradoras observaram uma recomposição da arrecadação, que tende a se manter nos próximos meses. Feitas as contas para um período de crise aguda e inédita, as saídas não comprometeram o desempenho do setor.

“Em meados de março e metade de abril, a Brasilprev verificou um volume expressivo de resgates, motivados pela aversão ao risco dos clientes e momentânea cota negativa na rentabilidade”, afirma o superintendente de produtos da Brasilprev, Sandro Bonfim. “A partir de então, começaram a surgir os efeitos das nossas ações de assessoria e comunicação e em julho já havia retomada de arrecadação nos patamares do início do ano”, diz.

A Brasilprev é um dos players de grande porte da previdência privada no país e tem como acionistas a BB Seguros, braço de seguros, capitalização e previdência privada do Banco do Brasil e a americana Principal. Segundo Bonfim, a empresa é responsável pela gestão de R$ 300 bilhões em ativos e tem 2 milhões de clientes. A rede de distribuição dos fundos é ancorada em canais digitais e nas agências do BB. A carteira de previdência é formada por 13% de recursos em PGBLs e 87% em VGBLs, segundo dados de setembro da Fenaprevi.

De maneira geral, tanto nas gigantes do varejo quanto nas seguradoras independentes, essa divisão entre as modalidades reflete o perfil de renda do brasileiro: muito menos pessoas têm renda suficiente para que compense fazer a declaração do Imposto de Renda pelo modelo completo, com deduções de despesas (inclusive de aportes de previdência privada) e aportar recursos em PGBLs.

A variedade da oferta é uma das apostas da Brasilprev, que oferece fundos de renda fixa, multimercados e carteiras que mesclam essas estratégias, o que permite acomodação a diferentes cenários econômicos. A empresa tem ainda planos para menores individuais e empresariais e opções com entrada a partir de R$ 100. Para o mercado de previdência privada, apesar de ter sido um desafio de curto prazo, a pandemia acabou reforçando um aspecto primordial do setor: a necessidade de proteção financeira, que pode ser suprida por diversificação de estratégias.

Não por acaso, nos últimos anos as seguradoras se esmeraram em encontrar maneiras de oferecer aos clientes fundos de previdência com múltiplas estratégias, de forma a obter retornos melhores com uma gestão de risco adequada ao perfil do cliente – a exemplo do que já acontece na indústria de fundos em geral. A consolidação de um cenário de juros baixos no país foi outra variável. A saída foi formar parcerias com gestoras independentes de recursos, experientes em estratégias específicas que poderiam agregar valor às carteiras de previdência. Foi o que fez a Icatu Seguros.

“A associação com essas casas permite que nossos fundos ofereçam, por exemplo, variadas estratégias de renda fixa, com estruturas de inflação e crédito privado”, diz o diretor de produtos de previdência da seguradora, Henrique Diniz. Tendo um portfólio de fundos diverso, os clientes não precisam transferir os recursos para outra empresa caso achem necessário; podem encontrar na própria seguradora o que se adapta melhor a cada situação. Segundo Diniz, hoje 60% dos fundos da Icatu são VGBLs e 40% PGBLs, numa distribuição um pouco diferente da média do mercado.

Fechar parcerias com gestoras independentes também foi a opção da Zurich Santander, empresa resultante de joint venture das duas gigantes globais. “Em 2020 lançamos dez novos fundos de previdência, sendo quatro com gestoras externas. Essas parcerias melhoram a proposta de valor de nosso fundos, contribuindo para manter o cliente dentro da nossa estrutura”, observa o diretor de produtos da Zurich Santander, João Batista. Ele informa que a seguradora tem aproximadamente R$ 60 bilhões em ativos sob gestão e que a divisão entre VGBLs e PGBLs está em 85% para a primeira categoria e em 15% para a segunda.

A SulAmérica também investe na diversificação de fundos, e o vice-presidente de investimentos, vida e previdência, Marcelo Mello, ressalta o cuidado para evitar redundância de produtos. “O mercado de previdência privada já tem muitas peculiaridades, pontos que o cliente precisa avaliar. Se tivermos fundos demais essa oferta pode dificultar a decisão do investimento”, diz.

A seguradora firmou parcerias para a criação de fundos que operam com estratégias de diversificação de ativos e de geografia (investimentos no exterior). Mello lembra que a regulação tem acompanhado a evolução do mercado brasileiro, permitindo os investimentos no exterior. Flexibilização que certamente ajudou o mercado a evitar grandes perdas de rentabilidade durante o auge da crise da pandemia.

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