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24/09/2021 | Fonte: Valor

Seguro auto muda para ficar melhor

“As novas regras estimulam a criação de novos produtos, com claro ganho de eficiência”, diz presidente da FenSeg

Contratar um seguro para o automóvel é, normalmente, um processo recheado de burocracias. Com o objetivo de deixar o serviço mais simples e barato, a Superintendência dos Seguros Privados (Susep) estabeleceu novas regras para os seguros de veículos, que entraram em vigor desde o dia 1º de setembro.

O cliente pode selecionar quais assistências combinam mais com seu perfil e cabem no seu bolso, o que deve gerar economia na apólice. Desse modo, o proprietário do veículo opta por pagar apenas cobertura para acidentes, por exemplo, ou furto e roubo. Não será mais necessário contratar o pacote padronizado, uma vez que ele poderá escolher as assistências que preferir. No entanto, se for esta a opção, em caso de furto ou roubo, o cliente receberá somente uma parcela, e não 100% do valor do automóvel, o que também vai baixar o valor do seguro.

Além disso, o cliente tem a opção de fazer coberturas parciais: a apólice poderá cobrir, por exemplo, apenas os espelhos retrovisores, a dianteira do automóvel, vidros etc. E, de forma isolada ou combinada, diferentes riscos, como furto, roubo, incêndio ou colisão.

Também foi regulamentado o seguro vinculado à Carteira Nacional de Habilitação (CNH), no qual a cobertura fica atrelada ao motorista, e não ao veículo. Tal modalidade tem como objetivo atrair quem costuma alugar carros (como motoristas de aplicativos) e colecionadores de automóveis. Com o serviço, o condutor pode dirigir diferentes veículos e continuar protegido, além de poder segurar modelos sem limite de idade de uso. Esse tipo de apólice, no entanto, não vai cobrir danos ligados ao automóvel. A cobertura poderá ser de responsabilidade civil facultativa, que cobre assistência e acidentes pessoais de passageiros e terceiros vinculados ou não condutor, independentemente de quem seja o proprietário do veículo.

Agora as seguradoras poderão cobrar franquia em casos de indenização integral (caracterizada quando os prejuízos resultantes de um sinistro ultrapassarem 75% do valor do veículo), incêndios, raios ou explosões. Antes só era possível cobrar franquia no caso de indenizações parciais.

Segundo a superintendente da Susep, Solange Vieira, a nova regulamentação é importante para tornar o serviço mais acessível à população e para desenvolver o setor no país. Dados do Denatran e da Susep indicam que apenas 16% da frota de veículos no Brasil tinham cobertura de seguros em 2019. Se forem considerados automóveis com até dez anos de fabricação, a porcentagem chega a 33%, número ainda considerado baixo.

“Temos trabalhado para que o seguro seja cada vez mais uma opção para que o cidadão possa se proteger e proteger seu patrimônio. As mudanças no seguro de carros propiciarão muitas oportunidades para o mercado e, principalmente, para novos consumidores de seguro. Trata-se de oferecer mais acesso e possibilidade de escolhas”, diz Solange.

Antônio Trindade, presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), também vê com otimismo as mudanças: “As novas regras estimulam a criação de novos produtos, com claro ganho de eficiência. O resultado é o aumento da competitividade e a inovação no segmento”, afirma o executivo.

Segundo Trindade, as novidades estimularão as seguradoras a estruturarem novos produtos. Os serviços já existentes no mercado, porém, têm até 180 dias para se adaptarem às mudanças.

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