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24/08/2021 | Fonte: SINDSEGSP

Seguros terão regras mais flexíveis e podem ficar mais baratos

Mudanças valem a partir de 1º de setembro e vão permitir, por exemplo, a apólice vinculada ao motorista e não ao veículo

O mercado brasileiro de seguros está em expansão. De janeiro a junho deste ano, cresceu 19,8% frente ao mesmo período de 2020, com arrecadação de R$ 145,1 bilhões, segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg). O número supera o resultado do segundo semestre de 2019, antes da pandemia, de R$ 144,7 bilhões. O alcance do seguro no país, porém, ainda é pequeno. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito, em 2019 84% dos carros que circulavam pelo país não tinham seguro.

De olho nesse mercado potencial, entram em vigor, em 1º de setembro, novas regras para o seguro de automóveis, que permitirão personalizar e baratear as apólices. O dono de um veículo antigo, por exemplo, que não ache vantajoso contratar cobertura para furto e roubo poderá optar apenas por seguro para acidentes, como colisões e incêndios, o que custará menos.

A desregulamentação do setor está no foco da Superintendência de Seguros Privados (Susep), a fim de ampliar o mercado consumidor. Na prática, as mudanças se refletem em mais liberdade às seguradoras para o lançamento de apólices customizadas, com diferentes combinações de coberturas e combos para atender à necessidade do consumidor. Em alguns casos, as novas modalidades já oferecidas reduzem em mais de 40% o valor do seguro.

Seguros são o sexto tema de uma série de guias em comemoração aos 30 anos da promulgação do Código de Defesa do Consumidor e aos 40 anos da seção “Defesa do Consumidor” do GLOBO. Todos os guias —proteção de dados, planos de saúde, turismo, telecom e bancos — estão disponíveis no site (glo.bo/3q8lT1H).

Mudança de cultura

Para entender melhor a mudança nos seguros de automóveis, a partir de agora será possível, por exemplo, vincular o seguro ao condutor, em vez de ao veículo. Desse modo, todos os carros que ele dirigir estarão com a garantia ativa. Quem tem três carros na garagem, por exemplo, poderá fazer uma apólice usando o valor médio dos veículos ou o de maior valor.

Esse tipo de seguro pode reduzir o custo de alugar um carro. Seria vantajoso para motoristas de aplicativos que costumam usar veículos alugados para trabalhar, pois não teriam de arcar com o seguro embutido no valor.

— A cobertura sobre danos causados a terceiros, que é vinculada a um carro, poderá passar a estar vinculada ao condutor. Então, se ele estiver dirigindo outro veículo e provocar um acidente, poderá ter o amparo do seguro para arcar com danos pessoais e materiais causados a outras pessoas — explica Mariana Arozo, coordenadora-geral de regulação de seguros massificados, pessoas e previdência da Susep.

Essa é a chamada cobertura de responsabilidade civil, que poderá ser contratada de forma exclusiva. O CEO da gestora de canais de distribuição de seguros e produtos financeiros Wiz, Heverton Peixoto, avalia, porém, que esse produto deve demorar a se popularizar:

— O brasileiro é muito apegado ao patrimônio. Muitas vezes faz um seguro pensando mais em proteger o carro, baixando a cobertura de terceiros. Por isso, acredito que vão demorar a adotar o seguro de responsabilidade civil, muito comum no exterior. Depende do amadurecimento da cultura para que o cliente entenda como baratear coberturas mantendo o que importa.

Outra novidade é a cobertura parcial. Em vez de optar por receber o valor total do carro em caso de roubo ou danos, o segurado poderá escolher ser reembolsado com a metade do valor, o que barateia o seguro.

Segundo a Comissão de Automóvel da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), no 1º semestre deste ano o segmento arrecadou cerca de R$ 17,5 bilhões, 6,8% a mais do que no mesmo período de 2020. A expectativa é que as novas regras ampliem a base de segurados.

As primeiras mudanças neste sentido foram implementadas pela Susep em 2019, quando passou a ser permitido o seguro intermitente, em que o cliente pode “ligar e desligar” coberturas e assistências quando quiser. Estimativas da Youse mostram que, nessa modalidade, a economia pode chegar a cerca de 44%.

— O preço do seguro nessa modalidade pode ser mais competitivo para algumas situações de uso ocasional de veículos, mas é importante ficar atento a períodos em que o seguro não esteja em vigor (ativado) e o veículo esteja sujeito a riscos, ainda que parado — diz Eduardo Menezes, superintendente executivo da Bradesco Auto/RE.

Na prática, não se pode desativar completamente o seguro, mas interromper assistências como guincho, chaveiro e cobertura a terceiros, mantendo uma apólice mínima.

— Alguém pode bater no carro na garagem, por exemplo. Então é interessante manter um pacote básico — argumenta Federico Salazar, diretor de produtos da Youse.

Atenção ao seu perfil

Peixoto, da Wiz, acredita que com mais smartcars nas ruas — veículos com bluetooth, rastreadores e que se conectem a aparelhos celulares —, as seguradoras terão maior facilidade para estabelecer o preço das apólices, e os clientes, mais comodidade:

— Já pensou se as seguradoras pudessem saber quando o carro está em deslocamento ou não? Essa poderia ser uma solução para seguros ativados realmente para uso.

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Outra alternativa de cobertura já presente no mercado é o seguro por quilômetro rodado, em que o cliente paga de acordo com o uso do veículo. O valor final é calculado a partir de um montante fixo, definido pelo perfil do cliente, acrescido de cobrança variável de centavos pela distância percorrida. Segundo Salazar, a economia é de até 30% em relação ao seguro convencional.

Seja qual for a modalidade de seguro, a economista Ione Amorim, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), diz é preciso estar atento às condições do contrato, seja de coberturas, prazos ou valores, e se estas são adequadas a sua necessidade.

—Recomendo ainda se certificar de que a seguradora é cadastrada na Susep. Qualquer inconsistência, procure o SAC das seguradoras e o portal Consumidor.gov.br.

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