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01/04/2022 | Fonte: SONHO SEGURO

Valor Econômico: Incerteza à vista para seguradoras

Setor investe em parcerias e canais digitais, mas deve crescer menos

Valor Economico Seguros

O jornal Valor Econômico traz hoje um especial sobre seguros. Veja abaixo os principais tópicos:

Cenário do Setor – Fatores macroeconômicos, ambientais e geopolíticos podem atrapalhar o desempenho da indústria de seguros este ano. Na lista de variáveis que fogem ao controle das seguradoras despontam: eleições, inflação, juros altos, desastres climáticos e a guerra na Ucrânia, que embaralham o cenário e criam imprevisibilidade. “A expectativa eleitoral pode tornar complexo o crescimento do setor este ano e deixar o empresário mais cauteloso. A inflação corrói a renda e o juro elevado torna os empréstimos mais caros e o acesso ao dinheiro e ao seguro mais restrito”, afirma Marcio Coriolano

Insurtechs – As insurtechs ou startups do setor de seguros querem atrair clientes com inovação e flexibilidade de adesão. Entre as estratégias estão uma melhor análise do perfil do segurado para reduzir o preço das apólices e a simplificação dos contratos, feitos de forma 100% on-line. Parte das novidades é bancada com o apoio de investidores.

Sinistralidade – Após a expressiva queda na sinistralidade em 2020, influenciada pela drástica redução da mobilidade no início da pandemia da covid-19, o desembolso das seguradoras com o pagamento de indenizações e benefícios voltou a crescer em 2021. Esse comportamento, contudo, foi heterogêneo entre os produtos do setor de seguros, segundo Marcio Coriolano.

Guerra – Depois da pandemia da covid-19, tudo o que o mercado segurador não precisava era de uma guerra. As empresas de seguro já sentem e repassam os efeitos do conflito na Ucrânia. O mais imediato é um aumento das apólices, pela elevação dos riscos e do custo de capital. Para setores como aviação, agronegócio e segurança cibernética, as perdas parecem inevitáveis e os impactos já são reais.

ESG – A agenda ESG – sigla em inglês para práticas ambientais, sociais e de governança – vem ganhando espaço no setor de seguros em linha com a crescente relevância do tema entre investidores globais. As principais iniciativas surgiram em 2021, tanto no cenário internacional, quanto no Brasil, quando a S&P Global divulgou seu primeiro relatório detalhando impactos dos princípios ESG nas seguradoras. No Brasil, a Susep abriu consulta pública, a de número 44, a fim de estabelecer diretrizes para que o mercado de segurador passe a inserir a avaliação de impactos ambientais, sociais e de governança em seus negócios.

Catástrofes – Ao mesmo tempo em que refletem a gravidade da crise climática, tornados, furacões, chuvas torrenciais, invernos rigorosos, desmoronamentos e alagamentos, entre outros, são exemplos de eventos e desastres naturais que têm provocado perdas econômicas globais bilionárias e prejuízos às seguradoras. “Infelizmente, esses problemas têm sido atacados de forma desordenada, ainda que existam metas para reduzir riscos climáticos”, diz Ricardo Ciardella, diretor de especialidades da corretora de seguros Marsh Brasil.

Previdência – O mercado de previdência privada foi atingido em cheio pelos efeitos da pandemia. Com o desemprego elevado e contas a pagar, o investidor está usando parte dos recursos reservados para a aposentadoria para saldar dívidas. O resultado foi um aumento no volume de resgates de 25,2% no acumulado de 2021, se comparado ao ano anterior, num total de R$ 103,4 bilhões. O que fez com que a captação líquida recuasse 16,5% no mesmo período, mas, ainda assim, seguisse no terreno positivo, com R$ 35 bilhões.

Seguro Auto – Com a falta de carros novos no mercado, um reflexo da pandemia, as seguradoras passaram a mirar os seguros para veículos usados, com dez anos ou mais. Para atrair clientes, elas oferecem desde cancelamento imediato da apólice, parcelamento em 12 meses, opções de escolha de serviços, uso de tecnologia para otimizar a localização de peças e reparos.

Celular – Mais de 100 mil celulares foram roubados em São Paulo no ano passado, apenas entre janeiro e setembro. O número chegou a 114,9 mil, segundo levantamento do Departamento de Pesquisas em Economia do Crime da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), baseado em boletins de ocorrência da Secretaria Estadual de Segurança Pública.

Novas modalidades – Ter agilidade, oferecer serviços melhores e apostar tudo na experiência do cliente, do corretor e do funcionário se tornaram a prioridade número “1” das seguradoras. Muitos projetos de transformação digital, antes colocados em segundo plano, chegaram à linha de frente em 2021. Nichos até então excluídos, como doentes crônicos, motos e sequestros relâmpagos são exemplos.

Securitização – Tratada no mercado como “novo marco da securitização”, a MP 1103 abre espaço para novas formas de financiamento de seguros e resseguros por meio da entrada do setor no mercado de capitais. Anunciada pelo governo federal em 15 de março, a MP traz como principais novidades a criação de dois novos produtos, a Letra de Risco de Seguros (LRS) e o Certificado de Recebíveis (CR), que poderão ser emitidos no mercado por uma Sociedade Seguradora de Propósito Especifico (SSPE), responsável pela modelagem de uma carteira de seguros e/ou resseguros e a lançaria aos investidores.

Juridiquês – Uma das barreiras à expansão do mercado segurador no Brasil, admitido pelos próprios especialistas da área, é a linguagem. Empolada na relação com o cliente e excessivamente carregada de termos jurídicos nos contratos, ela começa a ser debatida por seguradoras e corretoras em busca de modernização.

 

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