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setembro/2021 | Publicado por: Juliana Gonçalves Kanashiro

INSURTECHS E OS REFLEXOS NO MERCADO SEGURADOR

Como os demais setores da sociedade, o mercado segurador tem sido impactado pelas transformações digitais que refletem a mudança de comportamento e as necessidades dos usuários que objetivam a prestação de serviços de forma mais ágil e descomplicada.

O caráter tradicional do mercado segurador, por ser inteiramente regulado, fez com que este fosse um dos últimos a se adaptar ao modelo digital. Entretanto, impulsionado pelo crescimento das Insurtechs, que são empresas tecnológicas focadas em desenvolver produtos e soluções que garantam o melhor atendimento ao usuário final, tanto as Seguradoras, quanto o próprio órgão regulador, Susep, não tem medido esforços para garantir o desenvolvimento e atualização do setor.

A Susep, por exemplo, com o intuito de regular o mercado após a inserção das novas tecnologias, selecionou inicialmente 11 Insurtechs para participarem da 1ª Edição do Sandbox Regulatório, sendo que alguns dos projetos já estão em operação no mercado.

Através do ambiente regulatório experimental proporcionado pelo Sandbox, a Susep tem condições de apurar os riscos e benefícios dos produtos desenvolvidos, bem como a possibilidade de integrar as inovações no mercado.

Em 26.07.2021 a Susep publicou o edital para realização da 2ª Edição do Sandbox Regulatório. Serão selecionados 15 projetos com foco em produtos massificados de curto prazo e, com isso, estão excluídos os segmentos de previdência, resseguros, grandes riscos e responsabilidade civil. As empresas selecionadas terão um menor custo regulatório e maior flexibilidade para inovar e validar suas ideias e produtos.

Deste modo, vislumbramos o interesse do regulador em tornar o mercado securitário mais digital e acessível, sem contudo ignorar a segurança jurídica e a higidez da relação entre a seguradora e segurado.

No mesmo norte, as Seguradoras consideradas tradicionais, tem fomentado a indústria da inovação com significantes investimentos com o intuito de promover os projetos elaborados pelas Startups, como foi o caso recente das seguradoras Sulamérica e Notre Dame, demonstrando o interesse do mercado segurador em se adaptar aos anseios de seus usuários e com isso expandir sua forma de negócio.

A Sulamerica aportou valores no fundo de investimento da Aggir Ventures Healt, com o intuito de alavancar negócios de healthtechs e startups de empreendedores no setor de saúde no Brasil[1] e a Notre Dame Intermédica anunciou em 16.08.2021 investimento minoritário da sua subsidiária integral BCBF, na Startup NeuralMed, que visa otimizar o tempo de atendimento e a assertividade das decisões médicas por meio de Inteligência Artificial (IA)[2].

O objetivo das insurtechs é a utilização de sistemas digitais para otimizar os processos e com isso atender com efetividade as necessidades dos usuários. Tal modelo de negócio proporciona maior agilidade na prestação dos serviços, facilita a contratação de novos produtos, possibilita a redução de custos ante a automação das operações, desenvolve produtos personalizados e mais flexíveis que tornam a experiência do consumidor com o seguro mais simplificada, ágil e desburocratizada e potencializa a democratização do acesso de usuários que não eram atingidos ou não tinham interesse nos seguros existentes, como é o caso dos seguros intermitentes, com assinatura mensal, pay per use (pague pelo uso), etc.

Contudo, como as bases de dados são o principal insumo das insurtechs para desenvolver os produtos e soluções, se faz imprescindível o cuidado no gerenciamento dos dados, especialmente os pessoais. Assim, para proteger os titulares dos dados e se adaptar às mudanças trazidas pela Lei Geral de Proteção de Dados, as Startups devem mapear os dados tratados e apresentar estratégias para protegê-los, como criptografá-los, realizar treinamentos períodos com os seus colaboradores para implementar a consciência e responsabilidade no tratamento de dados.

Em que pese a transformação digital ter forçado a alteração de paradigmas na sociedade e a forma de prestação de serviços pelas Seguradoras, a sua inclusão certamente será cada vez mais benéfica à todos os participantes.

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[1] SulAmérica realiza aporte para alavancar healthtechs e startups do setor de saúde. <https://www.revistaapolice.com.br/2021/08/sulamerica-realiza-investimentos-para-alavancar-healthtechs-e-startups/>. Acesso em: 20 de agosto de 2021.

[1] Notre Dame anuncia investimento minoritário na startup NeuralMed. <https://olhareconomico.com/notre-dame-anuncia-investimento-minoritario-na-startup-neuralmed-2/Acesso em: 20 de agosto de 2021.

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