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03/08/2023 | Fonte: sindsegsp

Sandbox’ da Susep terá terceira edição

Via Valor Econômico

Criado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) para introduzir novos concorrentes no mercado segurador, o ambiente experimental de inovação conhecido como “sandbox” terá uma terceira edição. O regulador planeja envolver no programa entidades fomentadoras de crédito, como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O objetivo é levantar recursos para os próprios participantes ou empresas que desenvolvem tecnologia para as insurtechs. “De várias empresas que não têm o capital mínimo para ingressar no mercado, algumas necessitam de financiamento para poder começar a oferecer produtos”, diz o superintendente Alessandro Octaviani.

Na próxima rodada, o sandbox também deve conversar com outros temas de políticas públicas, como transformações ambientais. O programa é uma das prioridades da Susep, e o novo modelo deve ser definido até o fim de 2023. Das dez seguradoras que entraram na primeira edição, em 2021, oito fazem parte do programa atualmente. A Pier converteu sua licença temporária em permanente e a Stone saiu do projeto.

Na segunda turma, o projeto foi ampliado e, entre as 21 selecionadas, nove participam do sandbox e duas estão em análise final para aprovação. As outras desistiram, tiveram os pedidos negados ou os projetos foram arquivados. Segundo a Susep, desde o início do programa até o fim de 2022, as insurtechs emitiram R$ 73,8 milhões em prêmios e R$ 50,1 milhões em sinistros. O maior volume, até o momento, foi da Pier.

O resultado diferente das seguradoras iniciantes é “absolutamente natural”, lembra o superintendente. “Adoraríamos dizer que todas as empresas obtiveram imenso sucesso, mas não é assim que funciona um programa de fomento no mundo inteiro. Nós temos que temos que buscar a melhor forma de melhorar essa regularidade estatística”, diz Octaviani. “O desafio agora para a Susep é fazer essas empresas crescerem”, afirma o conselheiro da Associação Brasileira de Insurtechs (ABI), Henrique Volpi, que também é um dos fundadores da Kakau, seguradora selecionada para a segunda edição do sandbox. “Talvez um caminho para programas futuros seja pensar em edições temáticas, de acordo com demandas do mercado”, sugere.

Desde que o ambiente experimental foi criado, o cenário econômico mudou, assim como o apetite dos fundos de private equity e venture capital, potenciais investidores das insurtechs, e seguradoras como a Clubflix planejam crescer de forma independente. “Ampliando nossas vendas, o próprio negócio se sustenta”, acredita Sérgio Prazeres, CEO da insurtech, escolhida na segunda edição.

Atualmente, as propostas de investimento oferecem o mesmo valor por uma fatia duas vezes maior da empresa do que o pretendido anteriormente, afirma. Isso não quer dizer que as conversas com fundos se encerraram. A Iza, que já levantou cerca de R$ 16 milhões, tem falado com alguns, diz o fundador Gabriel de Ségur. “O mundo do dinheiro fácil acabou. O mais importante é termos o apoio da Susep”, afirma.

Além da parceria com os canais de distribuição com os quais já trabalha, planeja se aproximar de corretores, estratégia utilizada também por outras insurtechs como a Darwin, em busca de atrair novos entrantes, sem necessariamente concorrer diretamente com outras seguradoras já estabelecidas.

Um levantamento da ABI mostra que 80% dos segurados que contrataram seguros das participantes do sandbox nunca haviam tido acesso ao produto antes. “Talvez esse cliente não entraria no mercado e talvez o corretor não enxergasse essa comissão”, diz Firmino Freitas, sócio fundador da seguradora Darwin, que entrou na primeira edição do programa.

O fundador da corretora de seguros Globus, Christian Wellisch, entende que a distribuição dos produtos ainda deve ser resolvida. Sem corretores, o custo de aquisição de clientes é muito alto. Mas, ao se voltarem para esses profissionais, algo pode estar dando errado no modelo inovador das insurtechs, aponta. O fato de serem monoprodutos, por determinação das regras do sandbox, afeta o seu desenvolvimento. “Ao trazer mais empresas para o mercado, as pessoas hoje conseguem contratar seguros mais baratos. Esse programa está conseguindo dialogar com seu mercado consumidor e, para nós, isso é um sinal de que é bem-sucedido”, diz Octaviani, da Susep.

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